← Rodrigo Bréscia · Marketing Dados até 08/09/2026

Bruto × Líquido

Um método para ler o resultado de uma campanha sem se enganar.

O que é isto. Em agosto de 2026 eu rodei uma campanha de anúncios com o meu próprio dinheiro — R$ 374 — para testar dois anúncios diferentes. Esta página mostra, passo a passo, como eu li o resultado. Não é um relatório de sucesso: é uma demonstração de como eu leio números, com um caso real onde o número mais óbvio apontava para o lado errado.

Por que existe. Todo painel de anúncios mostra um número “bruto”: a soma de tudo. Esse número parece objetivo e quase sempre é aceito sem pergunta. Mas ele mistura coisas que não deveriam ser misturadas — e quando isso acontece, ele pode dizer que o pior anúncio é o melhor. O método aqui separa o que o painel mistura, chega a um número “líquido”, e registra por escrito tudo o que esse número não consegue provar.

Como ler. De cima para baixo. Cada seção faz uma pergunta e responde com dado. Toque nos botões e nas barras: a página foi feita para ser mexida.

1Veja de onde vêm os números.
2Compare os dois anúncios no bruto e depois no líquido — o vencedor troca.
3Veja o que a campanha custou e o que trouxe de volta.
4Veja o mesmo resultado medido por uma segunda régua — e como ela discorda da primeira.
5Leia, no fim, a lista do que estes números não provam.

Passo 1

De onde vêm os números

Nada aqui foi digitado à mão. Cada número vem direto do sistema que o gerou, coletado automaticamente todo dia por um programa que eu construí. Quatro fontes, cada uma medindo uma coisa diferente:

Meta (Facebook e Instagram)
Quantas vezes cada anúncio foi exibido, onde, e quantas pessoas clicaram.
Google Analytics
O que aconteceu depois do clique: quem chegou ao site, quem ficou, quem pediu contato.
Google Ads
Um segundo teste, na busca do Google, com as palavras que descrevem o que eu ofereço.
LinkedIn
Quem viu os meus posts — cargo, área e senioridade — exportado da própria plataforma.

Duas dessas fontes medem a mesma coisa de jeitos diferentes — o Meta conta o clique, o Google Analytics conta quem de fato chegou. Elas nunca batem exatamente. E é bom que não batam: a diferença entre as duas é informação.

Passo 2 · Duas semanas, R$ 374

Qual anúncio foi melhor?

Os dois anúncios levavam para a mesma página do meu site. A única intenção era ver qual chamada fazia mais gente clicar:

Anúncio A
Abre com um resultado concreto: R$ 1,5 milhão captados a partir de uma campanha de conteúdo.
Anúncio B
Abre com uma pergunta que provoca curiosidade sobre o método.

A medida é a taxa de clique: de cada 100 vezes que o anúncio apareceu, quantas alguém clicou. Escolha como comparar:

Bruto — a taxa de clique somando tudo. É o número que o painel do Meta mostra. Líquido — cada anúncio comparado com o outro no mesmo lugar (feed com feed, Reels com Reels), e só depois somado.
Anúncio A venceu
Anúncio B venceu

Por que o bruto engana: onde cada anúncio apareceu

O Meta decide sozinho em que lugar cada anúncio é exibido — feed, Reels, Stories — e não precisa decidir igual para os dois. Cada faixa abaixo é um lugar; a largura é a fatia das exibições. Toque numa faixa para ver os números dela.

Anúncio A
Anúncio B
Toque numa faixa para ver quantas exibições e qual taxa de clique aquele lugar teve.
Ver a tabela completa, lugar por lugar
LugarA · exibiçõesA · taxaB · exibiçõesB · taxa

Passo 3 · O que saiu e o que voltou

R$ 374. Zero pedidos de contato.

O objetivo real de qualquer anúncio meu é uma pessoa me chamar — no WhatsApp ou por e-mail. Aqui está o funil inteiro, do primeiro real ao último clique:

Investido
R$ 374
Exibições
36.836
Cliques
1.898
Chegaram ao site
2.550
Ficaram mais de 10 s
261
Pediram contato
0

1.898 pessoas clicaram e nenhuma me chamou. A primeira pergunta que eu me fiz foi: o medidor está quebrado? Conferi. O mesmo sensor registrou cliques para o meu LinkedIn no período — então ele funciona. O zero é real.

Isso não é o método falhando. É o método medindo direito uma campanha que não funcionou. Um sistema que só sabe dizer “deu certo” não serve para decidir nada.

Passo 4 · Duas réguas

O Meta mede o clique. O site mede quem ficou.

O Meta conta o clique e otimiza a campanha para o clique. Medir o anúncio só com a régua do Meta é pedir para quem está sendo avaliado que faça a própria avaliação. Por isso a segunda régua: o Google Analytics, que mede do lado do site, com outro instrumento. E ela discorda da primeira.

Régua 1 · Meta

Quem fez mais gente clicar

Taxa de clique, no líquido

Anúncio A
4,83%
Anúncio B
5,69%

Régua 2 · Google Analytics

Quem trouxe gente que ficou

De cada 100 visitas, quantas passaram de 10 segundos

Anúncio A
20
Anúncio B
15

O anúncio que atrai mais cliques (B) traz gente que fica um pouco menos. O que atrai menos (A) segura melhor quem chegou. “Qual foi melhor” depende da pergunta que você faz:

Quem fez mais gente clicar? — o B. Quem trouxe gente que ficou? — o A. Quem trouxe um pedido de contato? — nenhum dos dois. E essa era a pergunta que importava.

Além do teste · LinkedIn, sem pagar nada

O post chegou. No público errado.

Publiquei no LinkedIn sobre o sistema que estava construindo. O engajamento foi normal para mim. Aí eu olhei quem tinha visto — o LinkedIn informa cargo, área e senioridade de quem viu cada post — e comparei com os meus quatro posts anteriores. Duas fatias importam:

Decide contratação — fundadores, sócios, donos e diretores. É com quem eu quero falar. Pares — gente de publicidade e marketing. Colegas de profissão, não clientes.

Quatro posts com 14% a 16% de gente que decide. O post sobre o sistema: 10%, abaixo de todos — e pares subindo para 42%. Eu escrevi sobre marketing, e quem apareceu foi gente de marketing.

Não é problema de alcance. É o assunto convocando os meus pares em vez de quem eu queria conversar. Isso nenhuma métrica de “engajamento” mostraria.

Além do teste · Busca do Google

O que um zero pode ensinar

Rodei também um teste na busca do Google: anúncios que aparecem quando alguém digita certas palavras. Escolhi as palavras que descrevem exatamente o que eu ofereço.

44exibições em 13 dias

Zero cliques, R$ 0,00 gasto. Conta, cobrança, anúncios e segmentação — tudo conferido e aprovado. Subi o lance de R$ 2 para R$ 7 e continuou quase parado.

As palavras, e o que o Google disse sobre cada uma:

contratar head de marketingquase ninguém busca
head de marketing interinoquase ninguém busca
head de marketing freelancerquase ninguém busca
consultor de marketing digitaltem busca
marketing para startuptem busca

Não é falha de campanha — é sinal de mercado. Ninguém digita isso num campo de busca. Quem compra o que eu vendo não está procurando; está sendo apresentado. Descobrir isso por R$ 0,00 valeu mais do que qualquer clique.

Passo 5

O que estes números não provam

Esta é a parte do método que nenhum painel tem. Toda vez que eu encontro algo que enfraquece uma conclusão — um desequilíbrio, uma amostra pequena, uma comparação que não vale — eu escrevo, com data. E essa lista aparece antes de qualquer veredito, automaticamente. Toque em cada item para ler.

Se isto fez sentido

É assim que eu trabalho.

Se você tem uma operação de marketing rodando e quer saber o que os números dela realmente dizem — ou desconfia que estão dizendo a coisa errada —, vale uma conversa.